Luas



Uma lua na janela que dá pra rua
Não é uma lua,
São muitas.


Muitos olhos a espreitam,
Por trás de sua visão de mundo.
E o mundo também a espreita
Por trás de sua visão da gente.


Uma lua não é uma lua,
É antes um orgão imenso,
Pulsando no organismo silencioso e apoteótico do Firmamento.


A lua é antes um ovo do que um satélite.
É antes um trapezista sem cordas,
Do que um sinal.


A lua que vês pela esquina dos olhos,
Está troçando.
Está constipada e melancólica,
Ou entrépida e voluptuosa.
A lua que vês,
Não é a mesma que vejo.


As luas são imaginárias
E nunca factuais.
São infinitas luas,
Num céu sem dono.

2 comentários:

bliss 29 de janeiro de 2010 04:03  

'um trapezista sem cordas', ótimo

ana carla 29 de janeiro de 2010 16:41  

entendi "infinitas luas". não tinha parado pra pensar. Ótimo título!

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ahn?

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